Lenda Celta – O Casamento de Fionn

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O rei Fionn. Fonte: sacredwood.yuku.com.

Vários anos se passaram depois que Fionn restaurou o prestígio dos fiana. Ele dirigia seu exército com sabedoria, e em todas as circunstâncias dava exemplo de bravura e bom humor.

No entanto, havia uma coisa que incomodava seus companheiros: o rei não tinha nenhuma mulher ao seu lado. Certo dia, Crimall abordou o assunto com o sobrinho.

– Agora você precisa pensar em deixar descendentes.
Conheço várias mulheres que ficariam honradas em viver ao seu lado, mas parece que você não as vê.

Fionn refletiu por um momento, depois disse:

– Você se lembra da noite em que fui sozinho até a fonte sagrada, que fica entre duas colinas, fora dos muros de Tara?

– Lembro, sim. Conforme manda o costume, você foi preparar o coração e a alma para se tornar rei dos fiana.

– Pois bem, aquela noite tive um encontro.

E Fionn contou ao tio a história que se segue.

Ele estava meditando ao lado da fonte, quando uma das duas colinas se abriu para dar passagem a três moças, uma mais linda do que a outra. Manteve-se completamente imóvel, para não denunciar a sua presença e poder observá-las à luz do luar. De repente, uma delas olhou em sua direção e conteve um grito. Imediatamente as três saíram correndo.

– Esperem! Não fujam! – ele gritou, saindo em sua perseguição.  Continuar lendo “Lenda Celta – O Casamento de Fionn”

Lenda Celta – Cuchullain

O herói celta Cuchullain. Fonte: rstynes.net
O herói celta Cuchullain. Fonte: rstynes.net.

Na região do Ulster, no Norte da Irlanda, durante o reinado de Conchobar, a irmã do rei deu à luz uma criança que recebeu o nome de Sétanta. Acreditava-se que era filho do deus Lugh. O menino cresceu entre os guerreiros do rei, e aos sete anos, já demonstrando força fora do comum, matou o feroz cão de guarda do ferreiro Cullan; propôs-se a tomar o lugar do cão e guarda e foi, por isso, chamado “Cão de Cullan”, ou Cuchullain.

Depois disso, sua força só aumentou, e começou a realizar feitos notáveis, cmo matar três gigantes que ameaçaram os guerreiros de sua terra. Mas era sujeito à loucura da guerra, sendo quase o que os nórdicos chamavam de “berserker”: um homem que, em batalha, entrava numa espécie de transe, frenesi que o levava a matar descontroladamente. E uma profecia dizia que ele seria famoso por toda a Terra, mas que teria vida breve. Continuar lendo “Lenda Celta – Cuchullain”

Lenda Celta – Os Tuatha dé Danaan

Os habitantes do além-mundo eram os Thuata Dé Danann - a tribo da deusa Dana, mãe de uma importante família de deuses. De acordo com o folclore irlandês, os Thuata Dé Danann  eram uma estirpe de pessoas hábeis nas artes de magia e no druidismo que, em algum momento no passado distante, chegaram à Irlanda de uma terra do norte. (Fonte: Irlanda celta: entre os druídas e os grandes reis, Editora Folio).
Os Thuata Dé Danaan. Fonte: Pinterest.

O povo celta habitou muitas regiões da Europa, onde mais tarde se consolidariam as nações da Gália, Bretanha, Germânia; estiveram também na Península Ibérica e nas ilhas Britânicas. A maior incidência de seus mitos concentrou-se Continuar lendo “Lenda Celta – Os Tuatha dé Danaan”

Lenda Celta – O Príncipe do Abismo

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Pwyll, o Príncipe do Dyvet. Fonte: Pinterest.

Pwyll reinava sobre o Dyvet*, pequeno reino situado a oeste da ilha dos Homens Fortes**. Então porque era chamado de Príncipe do Abismo? É o que esta história vai explicar.

Certo dia, Pwyll abriu os olhos antes do amanhecer, impelido por uma imensa vontade de caçar. Acordou seus criados para que selassem os cavalos e amatilhassem os cães, reuniu alguns amigos e, com eles, partiu para a floresta à rédea solta. Cavalgou até o entardecer, sem encontrar nenhuma presa.

– Não adianta, vamos voltar – disseram seus companheiros. – O dia hoje não está favorável para nós.

Na verdade, estavam todos um pouco preocupados por terem se aprofundado tanto na floresta. Já tinham provado em outras ocasiões que não eram covardes, mas corriam histórias muito estranhas a respeito daquele lugar. Uma coisa é enfrentar o inimigo de armas em punho, outra é incomodar os maus espíritos nos domínios deles.

– Podem voltar, se quiserem – exclamou Pwyll. – Não desistirei enquanto não pegar um animal qualquer.

Seus olhos tinham um tal brilho que os companheiros não ousaram contrariá-lo. Não havia dúvida de que Pwyll estava tomado por uma inspiração divina. Assim, seus amigos voltaram e deixaram continuar a caçada sozinho.  Continuar lendo “Lenda Celta – O Príncipe do Abismo”